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Câmera nova, foto velha. Câmera antiga, cenário novo

Nós somos apaixonados pelos cenários da Baixada Santista. O contraste entre o azul do mar, o verde das matas e as construções históricas proporciona uma beleza cênica ímpar e ajuda a contar momentos importantes da história das nossas cidades e até do país.

Fotos antigas em Santos

O velho, o novo e o de novo

Uma volta ao passado por meio da velha e da nova fotografia

Por isso, seria justo [e lindo] que a nossa edição comemorativa de um ano fosse a mais fotográfica de todas, né? Então, além desta matéria, nós decidimos escancarar a beleza dos nossos cenários em outras quatro editorias nesta mesma edição. Tem muitos cliques recheando estas páginas.

Aqui escolhemos dois projetos fotográficos da região que unem, cada um do seu jeito, o velho e o novo, enaltecendo os nossos atributos naturais e históricos. Prepare-se para uma volta ao passado por meio dos cenários, figurinos e, inclusive das máquinas fotográficas analógicas, que estão voltando, para a alegria dos saudosistas e dos jovens curiosos.

E como a ideia da edição é ser bem visual, desta vez, vamos falar menos e mostrar mais. Boa leitura e boa viagem, direto do túnel do tempo.

Fotos antigas em Santos

A nova tecnologia que resgata a velha imagem

A região do Valongo foi uma das primeiras áreas habitadas em Santos e a Estação Ferroviária do Valongo foi a responsável por estabelecer a primeira ligação entre o litoral e o interior, levando modernidade ao planalto, que se encontrava isolado devido aos desníveis da Serra do Mar.

A estação foi projetada na Inglaterra e inaugurada em 1867, com traços neoclássicos e inspirada na estação londrina Victoria Station. O prédio é basicamente original, tendo recebido uma reforma em 1895, quando ganhou o segundo andar e poucas outras características.

É neste cenário, que já teve grande responsabilidade na economia do país e movimentou a vida social santista por muitas décadas, onde hoje turistas e moradores podem fazer uma volta ao passado por meio da fotografia.

Fotos de Época em Santos
Foto: Christian Jauch

Fotos de época em Santos

Além de ser ponto de partida do bonde turístico que faz o circuito histórico da cidade e sede da Secretaria de Turismo, a estação abriga, aos finais de semana, a feira de artes e artesanato ‘Centro com Arte’. É lá que estão também os fotógrafos Le Ayres e Lilian Jolie, com o projeto Fotos de Época em Santos.

Diante de um cenário convidativo, os interessados são fotografados com vestimentas iguais às usadas no início do século XX. A foto é entregue em poucos minutos em tamanho 10 cm x 15 cm, em tons de sépia, como uma fotografia envelhecida. Uma réplica de uma máquina lambe-lambe, aquelas antigas, feitas com uma caixa de madeira e uma lente, apoiada sobre um tripé, também compõe o cenário. ‘Mas além de cênica, ela pode ser utilizada acoplando uma máquina atual a ela. Nós fazemos este serviço em eventos fechados’, explica Lilian.

Conforme conta Le Ayres, idealizador do projeto, 75% do público é de turistas, mas os santistas também se encantam quando se caracterizam. ‘É uma volta ao passado e normalmente as pessoas fazem as fotos antes ou após o passeio de bonde, o que torna a experiência ainda mais real’.

Fotos de Época em Santos
Foto: Christian Jauch

Leandro e Lilian também ficam caracterizados com roupas de época, o que faz os curiosos se sentirem mais à vontade e ousarem nas poses.

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Quem estiver pela região ainda pode visitar o Museu Pelé, que está bem em frente à estação, o Santuário do Valongo, ao lado, e, aos sábados, almoçar no restaurante-escola Estação Bistrô. Bem pertinho ainda estão a Bolsa Oficial do Café, a Casa da Frontaria Azulejada, o Museu de Arte Sacra, a Casa do Trem Bélico e o Pantheon dos Andradas. Dá para garantir muitos outros cliques no charmoso centro histórico de Santos.

Fotos de Época em Santos
Fotos: Divulgação

Onde encontrá-los

Você vai encontra-los aos sábados e domingos, das 11h às 17h, em frente à Estação do Valongo, no Largo Marques de Monte Alegre, s/n. O valor da foto é R$ 30, mas a partir da segunda unidade cada uma sai por R$ 20. Também é possível contrata-los para eventos fechados pelos telefones (13) 99133.2817 e (13) 99121.0480. fb.com/fotodeepocaemsantos


As máquinas que registram nossas fotos

As fotos que ilustram estas páginas foram registradas com o modelo Canon 5D DSLR com flashes Canon 600Ex, salvas em cartão de memória e impressas na hora, em impressora Epson PictureMate portátil.


E a velha fotografia que retrata os novos cenários

Os avanços tecnológicos nos possibilitam fazer inúmeros registros fotográficos daquilo que nos chama a atenção – e até do que nem é tão interessante – e depois deletar o que não ficou bom. Possivelmente estas fotografias nem serão impressas, mas saltarão descontroladamente nas timelines mundo afora.

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De acordo com os fotógrafos Fabiano Ignácio e Luiz Arthur Brito da Silveira, a facilidade tecnológica nos fez perder a noção do que realmente é importante ser registrado e ‘a onda das selfies banalizou a fotografia’.

Fotografia analógica na Baixada Santista
Foto: Simone Anjos

Com esta afirmação, eles justificam o crescente número de interessados no resgate da fotografia à moda antiga. ‘A geração pós anos 90 não teve contato com as câmeras analógicas, não conhece um filme fotográfico ou uma revelação em quarto escuro’, lamenta Fabiano. E, segundo ele, é este público que vem engrossando o caldo dos adeptos à fotografia nos velhos moldes, pois encontraram na câmera de filme um novo desafio.

A falta de automatização das câmeras antigas exige conhecimento das técnicas fotográficas e dos processos mecânicos, físicos e químicos. Fabiano acredita que a fotografia analógica nos ensina a ter paciência desde o momento da escolha do filme. ‘O registro é mais primoroso, afinal são apenas 36 poses. Tem que se escolher o que realmente merece ser registrado e depois aguardar a revelação, pois não dá para checar no display de LCD se a foto ficou boa’, lembra.

Fotografia analógica na Baixada Santista
Fotos: Fabiano Ignácio e Luiz Arhur

O garimpo

A volta ao passado começa no garimpo das máquinas, pois não é tão fácil encontrar câmeras analógicas em bom estado e a maioria delas é mais antiga que os próprios donos, logo, têm muita história para contar, a começar pelas que registraram.

Luiz conta que existem grupos em redes sociais no Brasil e no mundo todo que trocam experiências e também negociam câmeras, filmes e equipamentos analógicos, reaquecendo este mercado. Ele, que herdou a paixão pela fotografia do pai, voltou a fotografar à moda antiga no início deste ano, incentivado por Fabiano. ‘De imediato realizei um velho sonho que era ter uma Rolleiflex igual àquela que meu pai teve, consegui uma velha e respeitável senhora de 65 anos, que ainda faz fotos lindas’, conta. ‘Nesta parceria com o Fabiano, estou cada dia mais reencontrando a satisfação de “queimar filmes” e sentir a emoção de revelar e ver o resultado depois’.

Bares em Santos

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Juntos, eles têm feito lindos registros da nossa região em 15 modelos de câmeras analógicas, garimpados pela dupla na internet e visitando velhos fotógrafos. No acervo, há máquinas alemãs e japonesas e uma curiosa, austríaca, feita com lata de sardinha, todas em funcionamento e charmosíssimas.

Como afirma a dupla, ‘a imagem analógica que se forma é um presente tão real e físico que nem um monitor jamais conseguirá reproduzir’.

Fotografia analógica na Baixada Santista
Foto: Luiz Arhur

As máquinas que registram nossas fotos

As fotos que ilustram estas páginas foram registradas com os modelos Pentax, Rolleiflex, Canon F-1 e Canon Elan, reveladas em tanque no quarto escuro e os negativos foram escaneados em scanner de alta definição. E, pelo visto, valeu a ansiedade pela espera.


Fotografia analógica na Baixada Santista

Curta nossa galeria de imagens com as fotos de época no Valongo (por Christian Jauch e Divulgação) e as fotos analógicas na Baixada Santista (por Fabiano Ignácio e Luiz Arthur)

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O Autor

Diego Brigido

Diego Brigido

Jornalista e bacharel em turismo, especialista em comunicação, turismo e hospitalidade.
Editor da Revista Nove Cidades.

4 Comments

  1. 21 de julho de 2017 at 05:51 — Responder

    Que matéria linda! Parabéns, Diego!

  2. JOTA ERRE
    22 de julho de 2017 at 03:12 — Responder

    Maravilha de matéria !! Um resgate aos bons tempos ! E serve de exemplo de pesquisa aos mais jovens ! Parabéns!

  3. JOTA ERRE
    22 de julho de 2017 at 03:13 — Responder

    Um resgate aos bons tempos ! E serve de exemplo de pesquisa aos mais jovens ! Parabéns!

  4. ANDREA CAICHJIAN
    24 de julho de 2017 at 21:17 — Responder

    Linda matéria!!! Adorei

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