Café das Nove: Diego Brígido

Era uma vez um sonho

Era uma vez um sonho guardado em uma gaveta. E ele ficou lá por anos e anos, acumulando pó, traças e medos. Era uma vez um sonho grande que estava ficando pequeno. Do tamanho da gaveta. Era um sonho sonhado por uma pessoa só. E quanto mais o sonho crescia na cabeça, mais ele encolhia na gaveta.

Foram necessários muitos anos – mais precisamente quinze – para que aquele sonho que surgiu nas cadeiras da faculdade de jornalismo se tornasse realidade. Eu sonhava em ser editor de uma revista, sempre fui apaixonado pela escrita livre, leve, intimista e cuidadosamente diagramada que as revistas nos permitem. E aí vieram outra faculdade, pós-graduações, muitos cursos e uma bem construída rede de relacionamentos corporativos até que eu entendesse o que estava, de fato, reservado para mim.

Eu me lembro perfeitamente, foi no primeiro dia de férias de um ano profissionalmente frustrante. Saí para correr e quando voltei já não era mais o mesmo. Abri a gaveta, arranquei o sonho de dentro, limpei pó, traças e medos e a partir dali iniciei minha jornada de libertação. Eu seria o editor da minha própria revista. Porque eu queria falar sobre coisas nas quais eu acreditava e pelas quais sou apaixonado. E eu queria levar esta paixão às pessoas e fazê-las enxergar quanta beleza há em torno de nós, oculta nas sombras da nossa visão míope e limitante. Eu queria mostrar quanta riqueza havia naqueles mais de 5 quilômetros de jardim de orla por onde eu corria e tudo mais o que nossa região insiste em exibir e a gente teima em não ver.

Mas eu não contava com uma coisa: junto com o editor nascia um empreendedor. Tinha de ser assim. E isso não estava nos meus planos, não estava naquela gaveta de onde tirei o sonho empoeirado. Ser editor para um jornalista é fácil. Falar de turismo, cultura, gastronomia e lazer para um turismólogo é fácil. Criar uma publicação impecável tendo excelentes parceiros é fácil. O grande desafio é transformar isso em um negócio. Porque, afinal, ninguém vive só de sonho.

A Revista Nove Cidades completou um ano em abril e já lançamos NOVE edições. Lindas, bem escritas, cuidadosamente diagramadas, com conteúdo exclusivo, revelando aos leitores – turistas e moradores da Baixada Santista – quanta coisa bacana temos por aqui. Estamos conquistando um público cativo, surpreso e apaixonado. A ‘Nove’, como a chamamos carinhosamente, já chegou em vários países levando lá pra fora o que temos de lindo por aqui. Tudo do jeito que eu sonhava, não, tudo ainda maior do que o sonho da gaveta.

Um ano ainda é pouco, mas a ‘nossa menina’ mostra a que veio quando consegue sobreviver e se tornar cada vez mais forte, mesmo tendo nascido em um momento de crise, quando as empresas precisam cortar custos – e, infelizmente, sabemos todos, que as verbas de marketing são as primeiras sacrificadas.

Amigos, parodiando Fernando Pessoa, escrever é preciso, empreender não é preciso. Mas viver também não é preciso, então sigo nessa jornada de incertezas, levando palavras, imagens e amor. Mas com tudo limpinho, sem poeira, traças e muito menos medo.

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O Autor

Diego Brigido

Diego Brigido

Jornalista e bacharel em turismo, especialista em comunicação, turismo e hospitalidade.
Editor da Revista Nove Cidades.

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